sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Soneto do amigo - Vinicius de Moraes



Enfim, depois de tanto erro passado 

Tantas retaliações, tanto perigo 


Eis que ressurge noutro o velho amigo 


Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 


Com olhos que contêm o olhar antigo 


Sempre comigo um pouco atribulado 


E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 


Sabendo se mover e comover 

E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica


Que só se vai ao ver outro nascer

E o espelho de minha alma multiplica...


Vinicius de Moraes

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