sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Há em Toda a Beleza uma Amargura




Há em toda a beleza uma amargura secreta e confundida 

que é latente ambígua indecifrável duplamente oculta a si e

 a quem na olhar obscura Não fica igual aos vivos no que 

dura e a não pode entender qualquer vivente qual no cabelo 

orvalho ou brisa rente quanto mais perto mais se desfigura

 Ficando como Helena à luz do ocaso a língua dos dois

 reinos não lhe é azo senão de apartar tranças ofuscante 

Mas à tua beleza não foi dado qual morte a abrir teu juvenil 

estado crescer e nomear-se em cada instante?


Walter Benjamin

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