
Há em toda a beleza uma amargura secreta e confundida
que é latente ambígua indecifrável duplamente oculta a si e
a quem na olhar obscura Não fica igual aos vivos no que
dura e a não pode entender qualquer vivente qual no cabelo
orvalho ou brisa rente quanto mais perto mais se desfigura
Ficando como Helena à luz do ocaso a língua dos dois
reinos não lhe é azo senão de apartar tranças ofuscante
Mas à tua beleza não foi dado qual morte a abrir teu juvenil
estado crescer e nomear-se em cada instante?
Walter Benjamin
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