
Olho o Tejo, e de tal arte Que me esquece olhar olhando, E
súbito isto me bate De encontro ao devaneando — O que é
sério, e correr? O que é está-lo eu a ver? Sinto de repente
pouco, Vácuo, o momento, o lugar. Tudo de repente é oco
— Mesmo o meu estar a pensar. Tudo — eu e o mundo em
redor — Fica mais que exterior. Perde tudo o ser, ficar, E
do pensar se me some. Fico sem poder ligar Ser, ideia, alma
de nome A mim, à terra e aos céus... E súbito encontro
Deus.
Fernando Pessoa
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