sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A Eternidade



De novo me invade. Quem? – A Eternidade. É o mar que se 

vai Como o sol que cai. Alma sentinela, Ensina-me o jogo Da 

noite que gela E do dia em fogo. Das lides humanas, Das 

palmas e vaias, Já te desenganas E no ar te espraias. De 

outra nenhuma, Brasas de cetim, O Dever se esfuma Sem

 dizer: enfim. Lá não há esperança E não há futuro. Ciência

 e paciência, Suplício seguro. De novo me invade. Quem? – A

 Eternidade. É o mar que se vai Com o sol que cai.


Arthur Rimbaud

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