
De novo me invade. Quem? – A Eternidade. É o mar que se
vai Como o sol que cai. Alma sentinela, Ensina-me o jogo Da
noite que gela E do dia em fogo. Das lides humanas, Das
palmas e vaias, Já te desenganas E no ar te espraias. De
outra nenhuma, Brasas de cetim, O Dever se esfuma Sem
dizer: enfim. Lá não há esperança E não há futuro. Ciência
e paciência, Suplício seguro. De novo me invade. Quem? – A
Eternidade. É o mar que se vai Com o sol que cai.
Arthur Rimbaud
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